Resumo
Este artigo analisa as possibilidades e os limites de resisteÌ‚ncia em Ensaios radioativos (2008) de MaÌrcio-AndreÌ, em que o poeta brasileiro relata sua visita a Chernobyl em 2007. Considero que as vaÌrias maneiras de registrar a resisteÌ‚ncia no livro estão a serviço de uma poeÌtica de rendição radical. Examino especialmente como os ensaios e as performances que eles documentam dependem de uma noção de ecologia global, a fim de derrubar a antiga oposição binaÌria entre centro e periferia que oprime a literatura brasileira. PoreÌm, apesar de toda a sua dependeÌ‚ncia na interconexão, a obra não estaÌ de acordo com as ideias atuais de “environmentality†(Morton) ou “ecocosmopolitanism†(Heise), cmplicando, portanto, a sua recepção como um texto ecopoeÌtico. Enfim, enquanto o foco global do projeto sugere uma resisteÌ‚ncia aÌ€ brasilidade e aÌ€ insularidade nacional, os ensaios estão preocupados sobretudo com o reforço da importaÌ‚ncia da liÌngua nacional e com o ato de reescrever a tradição vanguardista brasileira.