Resumo
Partindo da intrÃnseca relação entre estética e polÃtica (Rancière), este artigo aborda a forma como Recordações da Casa Amarela (João César Monteiro, 1989) configura uma postura crÃtica e de resistência da arte perante ordens (polÃticas, estéticas, económicas) impostas. Analisando os textos e contextos de diferentes filmes de Monteiro que abordam, simbólica e fatualmente, as “orlas†do social, concluir-se-á que o cinema enquanto prática de resistência ao “consumo†fácil não implica falta de compromisso com o que é filmado. A articulação de diferentes estilos, registos e referências configura um modus operandi que está sujeito apenas a uma “ordem fÃlmica†(Monteiro) sem que, no entanto, tal implique fechamento a outras artes e a outras partes da sociedade. Pelo contrário, a autonomia estética do cinema de Monteiro é a condição de possibilidade de reconfigurações e infiltrações polÃticas e estéticas, permitindo estabelecer novas relações e dando visibilidade ao que até então é consensualmente ignorado.