Resumo
Este texto se propõe analisar o modo paradoxal pelo qual certa crÃtica literária – seja acadêmica, seja de cunho mais jornalÃstico – tem dado atenção aos poetas malditos, os marginais ou, principalmente, os suicidas da segunda metade do século XX, abordando os casos especÃficos de Alejandra Pizarnik e Ana Cristina Cesar. Esse modo define-se como paradoxal já que insiste em identificar as figuras da inadequação que esses mitos colocariam em cena, ou seja, acaba congelando as caracterÃsticas dinâmicas de devir e dispersão que pretenderia elogiar. A partir daÃ, o texto busca mostrar outras formas de abordagem desse “mito†que levem em conta a sua qualidade de sobrevivência, principalmente no trabalho da artista Laura Erber sobre as duas poetas, com o qual se problematiza a fronteira entre vida e morte, entre literatura e artes visuais, entre técnica e natureza, entre procedimento e gesto, entre singularidade e comunidade.