Resumo
O presente artigo se propõe a investigar as relações entre literatura e sociedade, pautando-se tanto na Teoria CrÃtica, em especial a teoria do espetáculo de Guy Debord, quanto nas teorias e crÃticas da poesia moderna e contemporânea. Debruçados sobre uma das vozes de maior relevo da literatura brasileira contemporânea, a obra lÃrica de Roberto Piva, pretendemos investigar o modo como esta lÃrica tecerá relações com o seu tempo de forma a criar um embate entre seu próprio gênero, o gênero lÃrico, e o discurso retórico-espetacular que o circunda. Na imbricação entre estes dois discursos opositores, pretendemos investigar o modo particular como o texto lÃrico incorrerá naquela historiografia inconsciente adorniana, de forma a dar uma nova narrativa, marginal, aos acontecimentos que de que é contemporâneo. Especialmente, intentamos observar o modo como a poesia de Piva prescinde de um modo retórico persuasivo para encontrar seu lugar em uma marginalidade declarada, em que a experiência – ou a vida, para usar um termo tanto de Debord quanto de Piva – passa a ser ponto nodal do fazer poético, e se encontra com outro conceito benjaminiano: o do artista como catador de sucatas, na busca, como afirma Jeanne Marie Gagnebin, do narrador verdadeiro.