A véspera da casa: sobre a poética de Conceição Lima e certas “pessoas de bemâ€
Resumo
Partindo de um intenso desgosto e de uma intensa inquietação com os rumos que tem tomado o paÃs onde nasci, desde as últimas eleições presidenciais, procuro, neste artigo, pensar sobre como a poesia de Conceição Lima, visceralmente ligada a São Tomé e PrÃncipe, com cuja história e com cujo futuro se apresenta compromissada, afasta-se dos riscos que o nacionalismo comporta, recusando as dicotomias simplistas e o maniqueÃsmo tÃpicos de uma “lógica da colonialidadeâ€, tão explÃcita, hoje, no Brasil. Para demonstrar tal afastamento, faço uso de conceitos caros a pensadores que, como eu, acreditam na necessidade de se recusar o fechamento das culturas em seu próprio universo, assim como a intolerância e o preconceito que advêm da crença em verdades absolutas e dogmas definitivos. Hibridismo e interculturalidade são alguns destes conceitos, os quais me fornecem sugestões para observar como a poesia de Lima ultrapassa certas fronteiras.


