Resumo
Tomando como ponto de partida a análise detalhada do poema “Noite e nevoeiro – Alain Resnais (1955)”, do livro Movimentos no Escuro (2005), nas suas ramificações discursiva, documental e interartística, este estudo procura levar a cabo uma reflexão crítica sobre as modalidades da resistência poética que têm estruturado a obra de José Miguel Silva (n. 1969) desde o seu primeiro livro (O Sino de Areia, 1999). Pretende- se que o estudo empírico favoreça uma problematização teórica da complexidade das correlações entre poesia, trauma, testemunho, efeito histórico e posição política, com base nos trabalhos de pensadores como Jean-Luc Nancy, Jacques Rancière, Paul Ricoeur, Jacques Derrida, Giorgio Agamben ou Dominick LaCapra, mas também um equacionamento histórico-literário da pertença do autor e da sua poética a uma linhagem da poesia em língua portuguesa onde pontificam o “sentimento do mundo” de Carlos Drummond de Andrade e a “consciência sempre vigilante” de Jorge de Sena.