Resumo
A heterogeneidade das práticas discursivas a que damos o nome de poesia reflecte-se em diferentes conceitos de resistência, tão variáveis quanto as poéticas que lhes estão associadas. “Não há opressão maior e mais infame que a da lÃnguaâ€, escreveu Alberto Pimenta, e a poesia desenvolve mecanismos de resistência que assentam na consciencialização deste facto. Mas, por outro lado, talvez se tenha vindo a criar alguma resistência aos usos que a poesia de tradição moderna reivindicou para “as palavras da triboâ€. Reportando-se ao mundo contemporâneo, Pimenta constatava recentemente: “nesses trilhos da obediência, ouve-se à s vezes dizer que em certo lugar do caminho faltam 4 médicos, ou 4 juÃzes, ou 4 pedreiros, ou 4 motoristas, ou 4 fiscais, mas jamais se ouvirá dizer que faltam 4 poetas. Ainda bemâ€. Porquê “ainda bemâ€? Por que precisa a poesia deste estar à margem? E se não faz falta (?), por que razão continua? As “operações†poéticas de Alberto Pimenta e os diálogos que estas mantêm (ou recusam) com outras poéticas portuguesas contemporâneas serão o ponto de partida para algumas possÃveis respostas.